Eu bem queria esquecer paixões antigas. De verdade que queria ser capaz.
Mas elas emergem, uma e outra e outra e outra vez.
Vejo-me casada, vejo-me mãe, mulher, esposa, vejo-me numa vida que não sei se é a que quero.
Sonho com o M., sonho com o L., sonho até com o C., que já assumiu a sua homossexualidade e está feliz com o seu companheiro.
Raios, até no meu ex-namorado penso.
Porquê? Por que tenho que sonhar com eles, por que têm que entrar e reentrar e voltar a entrar na minha vida, sem serem convidados? Por que me vêm despertar sensações que não tenho com o meu marido?
Eu acho que me falta a coragem de admitir perante todos mas sobretudo perante mim que não estou feliz. Que anseio por muito mais, mais adrenalina, mais paixão, mais amor. Não quero esta rotina, mas falta-me a coragem de buscar outra.
Falta-me a coragem porque isso ia implicar romper com a breve estabilidade que o meu filho recentemente adquiriu.
Sou filha de pais separados, não quero que ele o seja! Mas a verdade é que não sei se ainda amo a pessoa com quem casei ou se é, como ele diz, por causa da difícil fase de vida que estamos a atravessar.
Sinto saudades de ser solteira. Sinto saudades da liberdade que era ser solteira, poder namoriscar, poder flirtar, sentir aquele frio na barriga que só senti com poucas pessoas. Que senti com o M. Que senti quando gostei do LH, mesmo que ele nunca tenha sabido disso.
Terei que me anular como mulher para ser uma boa mãe?...
Sem comentários:
Enviar um comentário